gustavo

eu não me mixo pra IA

2026-05-29·
reflexões

tenho uma confissão pra fazer: sou formado em engenharia de minas, mas não era o que eu queria no vestibular. foi ao longo da graduação que descobri o que realmente me movia — resolver desafios. e, por sorte, a mineração estava cheia deles. gosto tanto disso que acabei aprendendo programação e me graduando também em engenharia de software, pra resolver de maneira computacional os problemas que encontrava pelo caminho.

por isso acompanho o hype da IA desde 2017, e justamente por acompanhar há tanto tempo é que uma coisa me parece evidente: quem usa a ferramenta cegamente é o primeiro a ser substituído por ela. o ponto não é resistir nem se entregar, é entender o lugar onde você se coloca diante da onda.

compartilho abaixo dois pontos para refletirmos:

surfar a onda

porque é disso que se trata. esse campo é cheio de abstrações, e diante de uma onda dessas você só tem duas opções: assistir da areia ou surfar. o espectador resiste, reclama do hype e espera passar. o surfista usa a IA com intencionalidade: experimenta mais rápido, encurta os ciclos de feedback e diminui a distância entre o que imagina e o que consegue executar. é a diferença entre travar na ideia e chegar à prototipação no mesmo dia.

e quando a execução fica barata assim, o valor migra de lugar. digitar código deixa de ser o gargalo; o que passa a contar é a clareza de pensamento -> reconhecer uma boa ideia, separá-la das ruins e iterar sobre ela com rapidez. as pessoas que estão ganhando no mundo de software não são as que digitam mais, são as que enxergam produtos que os outros não veem.

mas enxergar bem é só metade do caminho.

construir em silêncio não basta

a outra metade é deixar que isso apareça. construir no escuro não rende mais oportunidade nenhuma: pra que uma porta se abra, alguém precisa ver que você está construindo — os projetos, os aprendizados, os experimentos, jogados no LinkedIn, no Twitter, onde for. não como vaidade, mas como prova de que você é alguém que constrói de verdade (veja construindo-em-publico).

e é aqui que mora a armadilha mais comum. muita gente adia o construir porque acha que ainda não está pronta — e fica esperando uma prontidão que, na prática, vem depois, nunca antes. o jeito é forçar o aprendizado na marra: lançar, errar, iterar, e deixar que a identidade alcance o comportamento. você não vira alguém que constrói se preparando pra construir; você vira construindo.

no fim, tudo isso se apoia numa coisa só: o compromisso com o aprendizado contínuo. pensar com clareza não é um estado que se atinge e pronto — é um músculo, e músculo a gente treina todo dia. é por isso que eu não me mixo pra IA. eu surfo.

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